Quais Times Brasileiros Ganharam a Libertadores Invicto?
Quais Times Brasileiros Ganharam a Libertadores Invicto
Levantar a taça da Libertadores já é difícil demais. A gente sabe disso. São meses de competição, jogos fora de casa, altitude, torcida adversária gritando no seu ouvido, pressão de todo lado. Agora imagina fazer tudo isso — tudo mesmo — sem perder uma única partida. Nem uma. Isso não é só ser campeão. Isso é entrar pra história de um jeito que pouquíssimos times conseguiram.
No futebol brasileiro, essa façanha é coisa de clube seleto. Até hoje, só três equipes do Brasil levantaram a Libertadores sem conhecer a derrota em toda a campanha. Três. Em mais de sessenta anos de torneio. Então quando a gente fala desses times, tá falando de algo realmente especial.
Vamos contar essa história direitinho.
SANTOS 1963 — A ERA DE OURO QUE COMEÇOU TUDO
O pioneirismo não poderia ter pertencido a outro time. O Santos da década de 60 é um daqueles elencos que você olha hoje, com tudo que a gente tem de futebol moderno, e ainda fica de queixo caído. Com Pelé em campo, o Peixe era simplesmente imbatível — e as campanhas da época provaram isso com números.
Como campeão vigente, o Santos entrou direto nas fases finais da competição, que tinha um formato mais curto do que o de hoje, mas não era nem um pouco menos intenso. Cinco vitórias e três empates ao longo do caminho. E o ápice de tudo? A grande decisão foi contra o Boca Juniors. O Santos ganhou o primeiro jogo no Maracanã e foi lá na Argentina, em plena La Bombonera, carimbar o bicampeonato na casa do adversário. Daquele jeito que só time grande faz.
CORINTHIANS 2012 — O MURO QUE TITE CONSTRUIU
Demorou quase cinquenta anos para outro clube brasileiro repetir a dose. E quando aconteceu, foi de um jeito completamente diferente — não foi atropelando ninguém, foi sufocando. O Corinthians de 2012, comandado por Tite, jogava com uma regularidade que beirava o absurdo. O time não era encantador no ataque, mas tinha uma solidez defensiva que deixava qualquer adversário desesperado.
Foram 14 jogos no total — uma campanha longa, desgastante, cheia de noites difíceis. Oito vitórias e seis empates. Apenas quatro gols sofridos em toda a Copa. Quatro. Isso diz tudo sobre o que aquele time era defensivamente.
E o final? De novo o Boca Juniors na decisão — parece que o destino adora colocar o Boca no caminho dos brasileiros nessas horas. O Timão foi à Argentina e arrancou um empate heroico com gol de Romarinho na Bombonera. Na volta, no Pacaembu, Emerson Sheik fez dois gols, o título inédito ficou no Brasil e a invencibilidade foi confirmada. Uma conquista feia de assistir pra quem não era corintiano, mas linda de morrer pra quem era.
FLAMENGO 2022 — O ROLO COMPRESSOR QUE NÃO TINHA FREIO
Aí chegamos no Mengão. E olha, com todo o respeito às conquistas anteriores — que são históricas e memoráveis —, o Flamengo de 2022 fez algo que nenhum dos outros conseguiu no formato moderno da competição, com muito mais times e muito mais jogos. Doze vitórias e um empate em treze partidas. Aproveitamento de quase 95%. É um número que você lê, relê e ainda não acredita direito.
Dorival Júnior tinha chegado ao clube em junho daquele ano, numa situação complicada, sem que muita gente apostasse alto no elenco para aquela temporada. E foi ele quem conduziu esse time até Guayaquil, no Equador, para uma final pesada contra o Athletico Paranaense. Um jogo tenso, equilibrado, que parecia caminhar para o intervalo em um zero a zero amarrado quando, nos acréscimos do primeiro tempo, Gabigol recebeu um cruzamento perfeito de Éverton Ribeiro e colocou a bola no fundo da rede. Um a zero. Título. Tricampeonato invicto consagrado.
O QUADRO COMPLETO — OS INVICTOS DE TODA A HISTÓRIA
Sabe o que é mais impressionante nessa história toda? Em mais de sessenta anos de Libertadores, só sete times no mundo inteiro conseguiram ser campeões sem perder nenhum jogo. Sete. Desses sete, três são brasileiros — e os dois mais recentes são justamente o Corinthians e o Flamengo, o que mostra a força do futebol brasileiro no continente.
A lista completa fica assim:
- Peñarol, do Uruguai, em 1960: Abriu as portas da competição já sendo invicto, logo na primeira edição do torneio.
- Santos, do Brasil, em 1963: Colocou a primeira bandeira brasileira nesse hall da fama.
- Independiente, da Argentina, em 1964: O chamado Rei de Copas começou sua dinastia continental sem cair pra ninguém.
- Estudiantes, da Argentina, em 1969 e 1970: E aqui tem uma curiosidade que é única até hoje: foram dois títulos seguidos de forma invicta. Dois. Ninguém mais chegou perto disso.
- Boca Juniors, da Argentina, em 1978: Fechou o domínio argentino daquela época com uma campanha impecável.
- Corinthians, do Brasil, em 2012: Encerrou o maior jejum entre títulos invictos da história do torneio.
- Flamengo, do Brasil, em 2022: O mais recente, o mais dominante em termos de aproveitamento no formato moderno.
ALGUNS DETALHES QUE A GENTE NÃO PODE DEIXAR PASSAR
Tem uma curiosidade que chama atenção quando a gente compara essas campanhas. O Flamengo de 2022 e o Corinthians de 2012 foram invictos de formas completamente opostas. O Flamengo atropelou — quase 95% de aproveitamento, um número absurdo pra uma competição tão disputada quanto a Libertadores. O Corinthians sufocou — sofrendo só quatro gols em toda a Copa, construindo o título na raça e na solidez defensiva. São duas filosofias diferentes, dois jeitos distintos de ser imbatível.
Outra coisa: Santos e Corinthians tiveram que passar pelo Boca Juniors na final pra garantir o título invicto. Já o Flamengo fez diferente — encarou um rival brasileiro na grande decisão, o Athletico Paranaense, em um grande confronto nacional.
Pra fechar, o comparativo direto entre os três gigantes brasileiros invictos:
- Santos, em 1963: Cinco vitórias e três empates — final contra o Boca Juniors.
- Corinthians, em 2012: Oito vitórias e seis empates — final contra o Boca Juniors.
- Flamengo, em 2022: Doze vitórias e um empate — final contra o Athletico Paranaense.
Três campanhas diferentes. Três títulos inesquecíveis. E a prova de que o futebol brasileiro, quando engrena de verdade, é difícil de segurar na América do Sul.
